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24/10/17 09:37

MERCADO

Empregos serão repaginados na nova indústria têxtil

Empregos serão repaginados na nova indústria têxtilA transição para a indústria 4.0 ou manufatura avançada, seus impactos para a mão de obra empregada pelo setor têxtil e de confecção e a influência das novas tecnologias sobre as decisões de compra do consumidor final foram os grandes temas discutidos na 33ª IAF (International Apparel Federation) Convention. Trata-se da maior convenção do mercado de moda mundial, realizada pela primeira no Brasil.

Na última sessão do evento, Juan Hinestroza, coordenador do laboratório de desenvolvimento de tecnologias têxteis na Cornell University (EUA), falou sobre as utilidades das roupas e têxteis que estão sendo desenvolvidos por sua equipe.

Utilizando nanolayers adicionados a fibras, os pesquisadores da Cornell desenvolveram roupas que mudam de cor em função do tamanho ou da proximidade das partículas de elementos químicos (como a prata) para fornecer informações médicas, hormonais, nutricionais, de impacto, de atividade física, dentre outras funcionalidades. Alguns desses produtos já estão em fase de testes.

Participação do trabalhador humano nas confecções 4.0

Moderado pelo diretor geral da Citeve, Braz Costa, o primeiro painel deste último dia de evento discutiu qual será a participação do trabalhador humano nesta nova indústria, e mostrou as opiniões divergentes dos presentes.

Para o vice-presidente do Grupo Esquel, John Cheh, a valorização e qualificação dos colaboradores são os pontos cruciais para o sucesso desta nova indústria, superando a preocupação com a automatização de todo o parque fabril das empresas do setor têxtil e de confecção.

“Precisamos de suporte digital. Entretanto temos que conceber que isso tem a ver com a inteligência humana e essa é a mudança. A indústria 5.0 está relacionada a fazer a diferença. Os robôs economizam trabalho maçante, mas a mão de obra humana é muito importante. Temos que criar empregos e produtos de qualidade, fazer coisas pelas comunidades locais”, enfatiza ele.

Classificadas pelo diretor geral da Hugo Boss, Joachim Hensch, como um caminho sem volta, as mudanças vivenciadas nos últimos tempos no setor têxtil destacam a necessidade de as empresas entenderem o cliente, eliminarem processos burocráticos e agilizarem sua produção.

Sobre o papel do ser humano neste processo, o executivo afirma que “talvez alguns não tenham um emprego padrão, mas todos terão outros tipos de trabalho”.

Já para Anton Schuman, consultor técnico da Gherzi, a digitalização dos processos já é uma realidade, e as empresas que não aplicarem estes processos podem não sobreviver ao advento da nova indústria.

“A digitalização já está acontecendo, não temos como parar as mudanças. Então se você não digitalizar, vai perder o negócio. A digitalização é uma questão de consciência”.

A opinião é compartilhada pelo fundador da Sewbo, Jonatham Zornow, que cita a utilização de tecnologias mais “baratas” como a desenvolvida por sua empresa como uma solução possível para atender a demanda de robotização nas pequenas empresas.

“Algumas operações de automação são difíceis de financiar, dependendo do porte da companhia. O que eu fiz foi desenvolver uma tecnologia para certos tecidos ficarem na rigidez de um papelão, facilitando o manuseio por um robô, e voltar ao normal após lavagem. Acredito que isso pode ser uma rota mais fácil para completar a automação. Pequenas fábricas devem investir nessa tecnologia, para não serem ‘eclipsadas’ pelos conglomerados maiores”, pontua.

Tecnologia no varejo

Gerente de contas da Lectra, Adriana Oliveira abriu as discussões do segundo painel do dia, que teve como temática central os impactos das novas tecnologias nas operações de varejo.

De acordo com a executiva, a geração millenials, a digitalização dos processos, a indústria 4.0 e a China estão impactando nas decisões de negócios das empresas e dos clientes. “Os millenials são dois milhões de pessoas, a maior geração trabalhadora da história. Na nova indústria, trabalhadores deverão atuar ‘juntos e misturados’”, explica.

A chegada da Amazon ao segmento de fabricação de roupas foi outro dos temas debatidos. Para André Chaves, sócio da consultoria Bain&Company, o fato deve ser analisado atentamente pelas empresas do setor, que precisam avaliar questões como o risco a suas próprias marcas antes de firmar uma parceria com a gigante norte-americana.

Já o CEO da Marisol, Giuliano Donini, detalhou as mudanças realizadas nos canais de venda de produtos da empresa, onde foram unificadas todas as marcas da empresa, mudando a arquitetura das lojas. Os meios de comunicação da empresa estão fortalecendo esta nova fase.

Apesar do volume de trabalho necessário para esta operação, o executivo pontua que o grande desafio aqui é cultural, já que muitos franqueados veem as ferramentas disponibilizadas pela empresa para colher dados de consumidores como uma estratégia para roubar clientes e vender diretamente online.

Expectativa dos consumidores

Fechando a 33ª edição da IAF, consumidores reais foram convidados pela consultora de moda, Renata Abranchs, para falar sobre suas expectativas com as marcas e para a indústria.

Segundo ela, os consumidores não se sentem representados pelos produtos comercializados por algumas marcas. Eles não conseguem confiar nessas marcas e, por isso, buscam se informar sobre o local onde as peças que adquirem são produzidas.

O consumo consciente também esteve entre os temas citados pelos entrevistados, que destacaram também a influência das queixas de trabalho escravo e a cultura das empresas com os funcionários como pontos importantes a ser considerados no momento da compra.

Uma pesquisa instantânea realizada durante o debate com a plateia, mostrou o crescimento do envolvimento das empresas com a transparência dos processos.

Dos que responderam, 40% disseram estar aprendendo e agindo, e 25% estão engajados com o tema.

“É realmente essencial que as empresas se comuniquem de maneira honesta, pois a confiança e a geração de bem-estar fazem muita diferença”, conclui.

A 33ª edição da IAF Convention, realizada de 16 a 18 de outubro, no Rio de Janeiro teve patrocínio da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Senai Cetiqt, MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) e apoio institucional do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa), TexBrasil e Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

Fonte | Assinatura: ABIT | FOTO: GUILHERME TABOADA

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